quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

ESTRUTURA DE PALAVRAS


Conceitos básicos: 

Observe as seguintes palavras:
escol-a
escol-ar
escol-arização
escol-arizar
sub-escol-arização
Observando-as, percebemos que há um elemento comum a todas elas: a forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis, responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se escolar pelo acréscimo do elemento destacável -ar.

Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas palavras que selecionamos, podemos depreender a existência de diferentes elementos formadores. Cada um desses elementos formadores é uma unidade mínima de significação, um elemento significativo indecomponível, a que damos o nome de morfema.

Classificação dos morfemas:

Radical

Há um morfema comum a todas as palavras que estamos analisando: escol-. É esse morfema comum – o radical – que faz com que as consideremos palavras de uma mesma família de significação – os cognatos. O radical é a parte da palavra responsável por sua significação principal.

Afixos

Como vimos, o acréscimo do morfema –ar cria uma nova palavra a partir deescola. De maneira semelhante, o acréscimo dos morfemas sub- e –arização à forma escol- criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de afixos.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com sub-, os afixos recebem o nome de prefixos

Quando, como –arização, surgem depois do radical os afixos são chamados de sufixos. Prefixos e sufixos, além de operar mudança de classe gramatical, são capazes de introduzir modificações de significado no radical a que são acrescentados.

Desinências

Quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis, amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara, amasse, por exemplo).

Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de desinências. Há desinências nominais e desinências verbais.

• Desinências nominais: indicam o gênero e o número dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma opor as desinências -o/-a:
garoto/garota; menino/menina

Para a indicação de número, costuma-se utilizar o morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de morfema, que indica o singular: garoto/garotos; garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
No caso dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes.

• Desinências verbais: em nossa língua, as desinências verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aqueles que indicam o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e aquelas que indicam o número e a pessoa dos verbos (desinência número-pessoais):
 

cant-á-va-mos
cant-á-sse-is
cant: radical
cant:
radical
-á-: vogal temática
-á-: vogal temática
-va-:desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo)
-sse-:desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjuntivo)
-mos:desinência número-pessoal (caracteriza a primeira pessoa do plural)
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda pessoa do plural)

Vogal temática

Observe que, entre o radical cant- e as desinências verbais, surge sempre o morfema –a.
Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os nomes apresentam vogais temáticas.

• Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o, quando átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola, triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois a mesa, escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam vogal temática.

• Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que caracterizam três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem à terceira conjugação.
 

primeira conjugação
segunda conjugação
terceira conjugação
govern-a-va
estabelec-e-sse
defin-i-ra
atac-a-va
cr-e-ra
imped-i-sse
realiz-a-sse
mex-e-rá
ag-i-mos

Vogal ou consoante de ligação 

As vogais ou consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação na palavra escolaridade: o -i- entre os sufixos -ar- e -dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos: gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira, tricota.


FONTE: http://www.brasilescola.com/gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola

USO DOS PORQUÊS


O uso dos porquês é um dos assuntos da gramática que mais geram dúvidas em suas situações de uso. Na língua portuguesa para cada tipo de enunciado temos um termo adequado a ser utilizado (e são quatro!), diferente de outros idiomas que possuem apenas uma forma para a interrogação e uma para a justificativa.

Acompanhe em quais situações se usam os porquês:

1. Por que: 
Em frases interrogativas, sejam elas diretas ou indiretas.
Eu quero saber por que  os militares estiveram aqui.
Por que os militares estiveram aqui?
Quando subentender razão. 
Vou lhe dizer por que  [razão] não gosto de futebol.
Quando puder ser substituído por pelo qual e outros termos similares.
A situação por que [pela qual] passou a vítima foi constrangedora.

2. Por quê:
Usado no final de frases interrogativas ou não:
As crianças estão tendo pesadelos, por quê?
O Brasil é rico em biodiversidade. Por quê?
Não sei quando comecei a ser consumista e nem por quê.

3. Porque:
Em orações que têm a função de explicar algo ou indicar causa.
Ela faz letras, porque gosta de literatura e gramática.
Não saí de casa, porque choveu.

4. Porquê:
Essa palavra tem função de substantivo e significa “motivo” e “razão”. É importante dizer que vem sempre acompanhada de artigo e também pode vir precedida por pronomes.
Preciso descobrir o porquê de tantas dúvidas.
(Repare que o artigo o é responsável pela substantivação do “porquê”) 
Eu só queria entender os porquês do rompimento matrimonial.

Por: Miriã Lira, em 18/09/2012
FONTE: http://www.coladaweb.com/portugues/uso-de-por-que,-por-que,-porque-e-porque

PROBLEMAS GERAIS DA LÍNGUA CULTA


O que são Sinônimos e Antônimos:

* Sinônimos

São palavras de sentido igual ou aproximado:
  • alfabeto - abecedário;
  • brado, grito - clamor;
  • extinguir, apagar - abolir.
Observação: A contribuição greco-latina é responsável pela existência de numerosos pares de sinônimos:
  • adversário e antagonista;
  • translúcido e diáfano;
  • semicírculo e hemiciclo;
  • contraveneno e antídoto;
  • moral e ética;
  • colóquio e diálogo;
  • transformação e metamorfose;
  • oposição e antítese.

* Antônimos

São palavras de significação oposta:
  • ordem - anarquia;
  • soberba - humildade;
  • louvar - censurar;
  • mal - bem.
Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo:
  • bendizer e maldizer;
  • simpático e antipático;
  • progredir e regredir;
  • concórdia e discórdia;
  • ativo e inativo;
  • esperar e desesperar;
  • comunista e anti­comunista;
  • simétrico e assimétrico.
O que são Homônimos e Parônimos:

* Homônimos

a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia:
  • rego (subst.) e rego (verbo);
  • colher (verbo) e colher (subst.);
  • jogo (subst.) e jogo (verbo);
  • apoio (subst.) e apóio (verbo);
  • denúncia (subst.) e denuncia (verbo);
  • providência (subst.) e providencia (verbo).
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita:
  • acender (atear) e ascender (subir);
  • concertar (harmonizar) e consertar (reparar);
  • cela (compartimento) e sela (arreio);
  • censo (recenseamento) e senso (juízo);
  • paço (palácio) e passo (andar).
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São  palavras iguais na escrita e na pronúncia:
  • caminho (subst.) e caminho (verbo);
  • cedo (verbo) e cedo (adv.);
  • livre (adj.) e livre (verbo).

* Parônimos

São palavras parecidas na escrita e na pronúncia:
  • coro e couro;
  • cesta e sesta;
  • eminente e iminente;
  • osso e ouço;
  • sede e cede;
  • comprimento e cumprimento;
  • tetânico e titânico;
  • autuar e atuar;
  • degradar e degredar;
  • infligir e infringir;
  • deferir e diferir;
  • suar e soar.
FONTE: http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-paronimos

TEXTO E INTERTEXTO


intertextualidade  é uma espécie de conversa entre textos; esta interação pode aparecer explicitamente diante do leitor ou estar em uma camada subentendida, nos mais diferentes gêneros textuais. Para compreender a presença deste mecanismo em um texto, é necessário que a pessoa detenha uma experiência de mundo e um nível cultural significativos.

O intertexto  só funciona quando o leitor é capaz de perceber a referência do autor a outras obras ou a fragmentos identificáveis de variados textos. Este recurso assume papéis distintos conforme a contextura na qual é inserido. A pressuposta cultura geral relacionada ao uso deste mecanismo literário deve, portanto, ser dividida entre autores e leitores.

E não há limite para as esferas do conhecimento que podem ser acessadas tanto pelo produtor do texto, quanto por seu receptor. Isto significa que o intertexto não está somente ligado ao contexto literário. Ele pode estar presente na pintura, a qual pode interagir com uma foto produzida séculos depois; na publicidade, quando, por exemplo, o ator que anuncia o Bom Bril está trajado como a Mona Lisa, criada por Leonardo da Vinci.

No caso desta propaganda, o intérprete compara a forma como o ‘Mon Bijou” deixa a roupa bem limpa e perfumada, com a criação de uma obra-prima, alusão à criação de da Vinci. Seu idealizador, portanto, faz uma analogia entre o produto que deseja vender e a elaboração de uma imagem pictórica, levando ao consumidor a possibilidade de se atualizar culturalmente.

Há pelo menos sete tipos de intertextualidade. A Epígrafe é um pequeno trecho de outra obra, ou mesmo um título, que apresenta outra criação, guardando com ela alguma relação mais ou menos oculta. A Citação é um fragmento transcrito de outro autor, inserido no texto entre aspas.

A Paráfrase é a réplica de um escrito alheio, posicionado em um uma obra com as palavras de seu autor. Este deve, portanto, esclarecer que o trecho reproduzido não é de sua autoria, citando a fonte bibliográfica pesquisada, a fim de não cometer plágio. A Paródia é uma distorção intencional de outro texto, com objetivos críticos ou irônicos.

O Pastiche é a imitação rude de outros criadores – escritores, pintores, entre outros – com intenção pejorativa, ou uma modalidade de colagens e montagens de vários textos ou gêneros, compondo uma espécie de colcha de retalhos textual. A tradução se insere na esfera da intertextualidade porque o tradutor recria o texto original.

A Referência é o ato de se mencionar determinadas obras, de forma direta ou indireta. A 
Alusão é uma figura de linguagem que se vale da referência ou da citação de um evento ou de uma pessoa, concreta ou integrante do universo da ficção, denominada interlocutor. Ela é igualmente conhecida como ‘intertextualidade’ ou ‘polifonia’.

O intertexto, portanto, não se refere apenas a textos literários, mas também a músicas, imagens – vídeos, filmes, todos os recursos visuais. Assim, em uma composição musical, no lançamento cinematográfico, na animação que se assiste em casa, na publicidade, nas pinturas e outras artes plásticas, enfim, em todas as linguagens artísticas, está presente a intertextualidade.

FONTE: http://www.infoescola.com/redacao/intertexto/ (por Ana Lúcia Santana)

CRÔNICA


Crônica: Gênero entre jornalismo e literatura

Assim como a fábula e o enigma, a crônica é um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra (Cronos é o deus grego do tempo), narra fatos históricos em ordem cronológica, ou trata de temas da atualidade. Mas não é só isso. Lendo esse texto, você conhecerá as principais características da crônica, técnicas de sua redação e terá exemplos.

Uma das mais famosas crônicas da história da literatura luso-brasileira corresponde à definição de crônica como "narração histórica". É a "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha", na qual são narrados ao rei português, D. Manuel, o descobrimento do Brasil e como foram os primeiros dias que os marinheiros portugueses passaram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da crônica como gênero que comenta assuntos do dia a dia.

Publicada em jornal ou revista onde é publicada, destina-se à leitura diária ou semanal e trata de acontecimentos cotidianos.

A crônica se diferencia no jornal por não buscar exatidão da informação. Diferente da notícia, que procura relatar os fatos que acontecem, a crônica os analisa, dá-lhes um colorido emocional, mostrando aos olhos do leitor uma situação comum, vista por outro ângulo, singular.

O leitor pressuposto da crônica é urbano e, em princípio, um leitor de jornal ou de revista. A preocupação com esse leitor é que faz com que, dentre os assuntos tratados, o cronista dê maior atenção aos problemas do modo de vida urbano, do mundo contemporâneo, dos pequenos acontecimentos do dia a dia comuns nas grandes cidades.

Jornalismo e literatura

É assim que podemos dizer que a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura. De um recebe a observação atenta da realidade cotidiana e do outro, a construção da linguagem, o jogo verbal. Algumas crônicas são editadas em livro, para garantir sua durabilidade no tempo. 

Características das crônicas
 A crônica é um texto narrativo que:

·         É, em geral, curto;
·         Trata de problemas do cotidiano; assuntos comuns, do dia a dia;
·         Traz as pessoas comuns como personagens, sem nome ou com nomes genéricos. As personagens não têm aprofundamento psicológico; são apresentadas em traços rápidos;
·         É organizado em torno de um único núcleo, um único problema;
·         Tem como objetivo envolver, emocionar o leitor.

FONTE: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/cronica-genero-entre-jornalismo-e-literatura.htm (Alfredina Nery, Especial para a Página 3 - Pedagogia e Comunicação é professora universitária, consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua/linguagem/leitura).


LITERATURA DE INFORMAÇÃO E LITERATURA DE CATEQUESE


QUINHENTISMO

Quinhentismo ou também chamada de literatura informativa foi vivido, no Brasil, em meio aos interesses da exploração de riquezas materiais. Assim, exploradores, aventureiros, índios, degredados é que compunham grande parte da população do primeiro século de vida nacional.

A Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500 ao rei Dom Manuel para dar notícias da nova terra, foi considerada a nossa certidão de nascimento. Foi o primeiro documento escrito de que se tem notícia.

LITERATURA DE INFORMAÇÃO

Os aventureiros, entusiasmados com a terra recém-descoberta, deixaram manuscritos informando sobre o gentio, a vegetação, o clima, a fauna e as riquezas. Daí o nome de Literatura de Informação ou crônicas de viajantes.

Além das crônicas dos viajantes, havia também a poesia religiosa cultivada pelos jesuítas no trabalho de catequese.

Os representantes mais significativos da poesia jesuítica do quinhentismo brasileiro são: Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta. Essas poesias eram escritas em Medida Velha ( versos redondilhos ) e de temáticas de influência ainda da Idade Média.

AS CONDIÇÕES PRIMITIVAS DE NOSSA CULTURA FORAM OBSERVADAS PRINCIPALMENTE NOS SEGUINTES TEXTOS:

  • A Carta de Pero Vaz de Caminha.
  • História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil e o de Pero de Magalhães Gândavo.
  • Diário de Navegação de Pero de Lopes de Sousa.
  • Tratado Descritivo do Brasil de Gabriel Soares de Sousa.
  • Diálogo sobre a Conversão dos Gentios do Padre Manuel da Nóbrega.
  • História do Brasil de Frei Vicente do Salvador.


A Literatura Informativa, além de documentar uma época, serviu como sugestão para temas de outros estilos literários brasileiros. Isso aconteceu sempre que se desejou afirmar uma literatura nacionalista em relação ao excesso de europerização.

Os exemplos dessa retomada dos textos informativos como temas vêm desde José de Alencar até Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes e Caetano Veloso.

 LITERATURA DE CAREQUESE

Período de catequização dos índios.

Poesia didática - que tinha o objetivo de dar exemplos moralizantes aos indígenas.

O teatro pedagógico - baseado em textos extraídos da Bíblia; e as cartas de informação - relatavam, aos líderes da Igreja Católica Portuguesa, como iam os trabalhos de catequese no Brasil.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ASPECTOS ESTRUTURAIS DO POEMA



ASPECTOS ESTRUTURAIS DO POEMA
    
 Versificação:  É o conjunto de normas que ensinam  a fazer poemas belos e perfeitos segundo o  conceito dos antigos gregos. Para eles, beleza e perfeição são sinônimos de trabalhoso, detalhado, complexo e tudo aquilo que segue a um modelo, a um conjunto de normas. É, assim, a técnica ou a arte de fazer versos.
      Verso é cada uma das linhas que compõem um poema, possui número determinado de sílabas poéticas (métrica), agradável movimento rítmico (ritmo) e musicalidade (rima).
    
O conjunto de versos compõe uma estrofe, que pode ser:
 1. Monóstico: estrofe com um verso;
2. Dístico:  estrofe com dois versos;
3. Terceto:  estrofe com três versos;
4. Quarteto:  estrofe com quatro versos (ou quadra);
5. Quintilha: estrofe com cinco versos;
6. Sextilha: estrofe com seis versos;
7. Septilha: estrofe com sete versos;
8. Oitava: estrofe com oito versos;
9. Nona: estrofe com nove versos;
10. Décima: estrofe com dez versos.
Mais de dez versos: estrofe Irregular.
    
     O verso que se repete no início de todas as estrofes de um poema chama-se ANTECANTO e o que se repete no final, BORDÃO. O conjunto de versos repetidos no decorrer do poema chama-se ESTRIBILHO ou REFRÃO.
    
  Métrica é a medida ou quantidade de sílabas que um verso possui. A divisão e a contagem das sílabas métricas de um verso são chamadas de ESCANSÃO, que não é feita da mesma forma que a divisão e contagem de sílabas normais, pois, segundo a Versificação:

1) Separam-se e contam-se as sílabas de um verso até a última sílaba tônica desse verso.
Ex: Es|tou | dei|ta|do | so|bre| mi|nha| ma|la
      1      2         3    4    5      6     7     8     9      10 

2) Quando duas ou mais vogais se encontram no fim de uma palavra e começo de outra, e podem ser pronunciadas simultaneamente, unem-se numa só sílaba métrica.  Quando essas vogais são diferentes, o processo chama-se elisão e quando são vogais idênticas, crase.
Ex: E|la+es|ta|va|só (Elisão) e  fo|ge+e|gri|ta Crase)
        1      2     3    4    5                   1      2       3  

3) Geralmente, como acontece na divisão silábica normal, os elementos que formam um ditongo não podem ser separados e os elementos que formam um hiato devem ser separados na escansão de um verso. No entanto, se o poeta precisar separar os elementos de um ditongo (diérese) ou unir os de um hiato (sinérese), ele tem LICENÇA POÉTICA para que sua métrica dê certo. O mesmo acontece se ele precisar contar também até a última sílaba átona do verso.
     
Quanto à Métrica, um verso pode ser:
1. Monossílabo: verso com apenas uma sílaba;
2. Dissílabo: verso com duas sílabas;
3. Trissílabo: verso com três sílabas;
4. Tetrassílabo: verso com quatro sílabas;
5. Pentassílabo: verso com cinco sílabas, também chamado REDONDILHA MENOR;
6. Hexassílabo: verso com seis sílabas;
7. Heptassílabo: verso com sete sílabas, também chamado REDONDILHA MAIOR;
8. Octossílabo: verso com oito sílabas;
9. Eneassílabo:  verso com nove sílabas;
10. Decassílabo: verso com dez sílabas, também chamado de HEROICO;
11. Hendecassílabo: verso com onze sílabas;
12. Dodecassílabo: verso com doze sílabas, também chamado de ALEXANDRINO.

     Ritmo é o resultado da regular sucessão de sílabas tônicas e átonas de um  verso. Para os gregos, ele é um elemento melódico tão essencial para o  poema  quanto para a Música.
     O ritmo é binário ascendente quando há um som fraco seguido de um forte (fraco/FORTE): “A|nu|vem|guar|da+o|pran|to”
(Alphonsus de Guimaraens)

     O ritmo é binário descendente quando há um som forte seguido de um fraco (FORTE/fraco): “Te|nho|tan|ta|pe|na “ (Fernando Pessoa)

O ritmo é ternário ascendente quando há dois sons fracos seguidos de um forte (fraco/fraco/FORTE): “Tu|cho|ras|te+em|pre|sem|ça |da|mor|te”
(G. Dias)

O ritmo é ternário descendente quando há um som forte seguido de dois sons fracos (FORTE/fraco/fraco):
    “Fá|ti|ma|diz|que|não|to|ma|nem|pí|lu|la” (D.Pignatári)

     Os versos que não seguem as normas da Versificação quando à métrica e/ou ao ritmo são chamados de VERSOS LIVRES.
     
 Som ou RIMA também é para os antigos um elemento essencial para que um poema seja uma POESIA. A rima é a identidade e/ou semelhança sonora existente entre a palavra final de um verso com a palavra final de outro verso na estrofe. Foneticamente, uma rima pode ser perfeita - se houver identidade entre as terminações das palavras que rimam (neve/leve) – ou imperfeita, se houver apenas semelhança (estrela/vela). Morfologicamente, a rima é pobre quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical (coração/oração), e rica quando as palavras que rimam pertencem a  classes gramaticais diferentes (arde/covarde).
      Quanto à posição na estrofe, as rimas podem ser classificadas como:

a) emparelhadas ou paralelas (aabb)     
    “Vagueio campos noturnos    a          
     Muros soturnos                a           
     Paredes de solidão             b            
     Sufocam minha canção.”           b              
     (Ferreira Gullar)                                                 

b) cruzadas ou alternadas (abab)
“Se o casamento durasse      a
Semanas, meses fatais          b
Talvez eu me balançasse        a
Mas toda a vida... é demais!”       b
(Afonso Celso)

c) opostas, intercaladas ou interpoladas (abba)
     “Não sei quem seja o autor     a
     Desta sentença de peso          b
     O beijo é um fósforo aceso      b
     Na palha seca do amor!”              a       
(B. Tigre)

d) continuadas: consiste na mesma rima por todo o poema.

e) misturadas: são as rimas que não seguem esquematização regular.

f) VERSOS BRANCOS: são os do poema sem rima.

     Fazem parte do estudo do som ou rimas as FIGURAS DE HARMONIA OU DE EFEITO SONORO: aliteração, assonância, onomatopéia, paronomásia, parequema e o eco ou rima coroada.

POEMAS DE FORMA FIXA
      Alguns poemas apresentam forma fixa, o que já indica a preocupação formal do poeta em relação à sua obra e, assim, que ele segue à risca as normas da Versificação no momento da sua elaboração. São eles:

. Soneto: poema formado por dois quartetos e dois tercetos, normalmente composto por versos decassílabos e de conteúdo lírico;
. Balada: poema formado por três oitavas e uma quadra;
. Rondel: poema formado por duas quadras e uma quintilha;
. Rondó: poema com estrofação uniforme de quadras;
. Vilanela: poema formado por uma quadra e vários tercetos.
      Assim, para os clássicos, a obediência às normas ou técnicas aqui expostas é um dos itens mais importantes na classificação de um POEMA como POESIA.   



Esse conteúdo foi retirado do site www.educacional.com.br.